sábado, 21 de abril de 2012

Walter Salles fala sobre o longo processo para filmar Na Estrada


20/4/2012 por Túlio Moreira

O livro On the Road se tornou a bíblia da Geração Beat quando foi lançado, em 1957, pelo norte-americano Jack Kerouac. Pouco tempo depois, a obra que retratou a explosão cultural da juventude dos Estados Unidos já despertava a atenção dos produtores de Hollywood, mas o projeto de filmar o livro nunca saiu do papel, até que o brasileiro Walter Salles (Central do Brasil) aceitou a difícil missão. O resultado do trabalho, batizado no Brasil de Na Estrada, foi selecionado para a mostra competitiva do Festival de Cannes deste ano, com abertura marcada para o dia 16 de maio. Em entrevista ao portal UOL, o diretor revelou que o processo até o longa se tornar realidade foi árduo e demorado.
Foram quase seis anos de trabalho, entrevistando os personagens do filme que ainda estão vivos, os poetas que junto com Kerouac lançaram as bases da contracultura norte-americana. Com a crise de 2008, pensei que o filme não se faria jamais”, afirmou Salles.
Com a crise financeira que atingiu os Estados Unidos em 2008, o financiamento da produção foi comprometido e o filme correu o risco de ser definitivamente arquivado. A solução veio em 2010, quando a produtora francesa MK2 se uniu à American Zoetrope, de Francis Ford Coppola (Tetro) , e à brasileira Videofilmes, de Salles, para levar o projeto adiante. O longa também contou com o apoio da Film Four, pertencente à televisão britânica Channel 4, e de pequenos distribuidores independentes europeus. O orçamento final ficou em torno de US$ 25 milhões.
Outra dificuldade foi transpor a narrativa pouco convencional do livro para a linguagem cinematográfica. Estudiosos de On the Road afirmam que Kerouac escreveu seu trabalho mais conhecido durante uma espécie de “surto literário”, finalizando toda a obra em apenas três semanas durante o ano de 1951. A linguagem fugia da estrutura tradicional da literatura da época. Para facilitar o processo, Walter Salles optou por produzir primeiro um documentário, na tentativa de resgatar o contexto no qual autor estava inserido.
O filme contará a história de Sal Paradise, um jovem escritor de Nova York que, após a morte de seu pai, conhece Dean Moriarty, um jovem rebelde e perigosamente sedutor. Sal acaba encantado pelas ideias libertarias de Dean e decide dar um novo rumo à sua vida. Os dois optam pela estrada e rodam os Estados Unidos com pouco dinheiro e muita disposição para pedir carona, com o objetivo de conhecer novas pessoas e encontrar suas próprias identidades.
O elenco do longa reúne a brasileira Alice Braga (Ensaio Sobre a Cegueira), Sam Riley (13 – O Jogador), Garrett Hedlund (Tron: O Legado), Kristen Stewart (a Bella de A Saga Crepúsculo), Kirsten Dunst (Melancolia), Viggo Mortensen (O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei), Amy Adams (O Vencedor), Steve Buscemi (Gente Grande) e Elisabeth Moss (O Pior Trabalho do Mundo). O responsável por adaptar o roteiro é o porto-riquenho Jose Rivera (Cartas Para Julieta), que já trabalhou com Salles em Diários de Motocicleta, de 2004

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